Murilo Mendes

Murilo Mendes - um dos principais poetas do modernismo brasileiro.

Murilo Mendes foi um dos principais poetas do modernismo brasileiro, combinando imagens visionárias e força imaginativa.

Biografia

Murilo Mendes nasceu em Juiz de Fora, Minas Gerais, em 1901. Filho de Onofre Mendes e Elisa Valentina Monteiro de Barros, perdeu a mãe quando tinha um ano e meio de idade. A partir de 1908, teve aulas de poesia e literatura com o professor e poeta Belmiro Braga, cuja biblioteca particular frequentava. Ingressou no Colégio Moraes e Castro para cursar os estudos primários, sendo depois transferido para o Colégio Malta.

O ano de 1910 viu a passagem do cometa Halley, fato usualmente associado ao despertar do interesse de Murilo pela poesia. Em 1912, foi matriculado na Academia de Comércio de Juiz de Fora, iniciando um período de insubmissa relação com o ambiente escolar. Passou pelo colégio Lucindo Filho, pela Escola de Farmácia de Juiz de Fora e pelo internato do Colégio Santa Rosa, em Niterói, Rio de Janeiro.

A rebeldia escolar era causa de preocupação na família, que buscou encaminhá-lo por meio de empregos como telegrafista, prático de farmácia, guarda-livros, funcionário de cartório do pai e professor de francês num colégio em Palmira, hoje cidade de Santos Dumont. Em 1920, a convite do irmão, mudou-se para o Rio de Janeiro, empregando-se como arquivista do Ministério da Fazenda.

No Ministério tornou-se amigo do colega e pinto Israel Nery. Integrou-se ao círculo de escritores e artistas que se reuniam na capital carioca do país. Entre 1924 e 1929, Murilo contribuiu com textos e poemas para publicações modernistas, como a Revista de Antropofagia, de São Paulo, e a Verde, de Cataguases, Minas Gerais. Publicou o primeiro livro de poesia em 1930, pelo qual recebeu o Prêmio Graça Aranha.

Em 1932 sairia o segundo livro de poesia pela Revista Nova, de São Paulo, e, no ano seguinte, o terceiro, fechando um ciclo de obras sob influência do modernismo da década de 1920. Murilo sofreu um profundo abatimento com a morte, em 1934, do amigo Israel Nery, que o levaria a converter-se ao catolicismo, com significativa influência sobre sua produção literária. Ela se faz sentir já no próximo livro, uma publicação conjunta com o amigo e poeta Jorge de Lima, em 1935.

Em 1940, Murilo conheceu a poeta Maria da Saudade Cortesão, com quem se casaria seis anos depois. Contraiu o tuberculose em 1943, doença que lhe tirara o pai no mesmo ano, e convalescendo na pensão em que morava até transferir-se para o Sanatório Boa Vista, em Correias, Rio de Janeiro, onde permaneceu seis meses. Ao longo das décadas de 1940 e 1950, manteve intensa atividade artística, incluindo poesia, crítica de arte e contribuições em diversos veículos de comunicação.

Devido a suas relações de amizade, Murilo foi contemplado com um cartório, tornando-se escrivão da 4ª Vara da Família do Distrito Federal. Casou-se com Maria da Saudade em 1947. Viajou à Europa entre 1952 e 1956, mudando-se em definitivo para a Itália em 1957, contratado pelo Departamento Cultural do Itamarati como professor de Cultura Brasileira na Universidade de Roma e de Pisa.

Os primeiros anos foram de adaptação à nova cultura e à língua italiana. Aos poucos, a casa de Murilo transformou-se em ponto de encontro de artistas - poetas e escritores, gente de cinema, críticos, músicos, pintores, escultores e artistas plásticos de toda a qualidade e de todas as nacionalidades.

Em 1975, enquanto veraneava com a mulher na casa que havia pertencido ao sogro, em Lisboa, Murilo foi acometido de uma síncope cardíaca e faleceu. Sua biblioteca e acervo pessoal, doados para a Universidade Federal de Juiz de Fora, constituíram o núcleo do que viria a ser o Museu de Arte Murilo Mendes.

Obras

Do Livro 'Poemas', 1930

Do Livro 'História do Brasil', 1932

Do Livro 'Tempo e eternidade', 1935

Do Livro 'A poesia em pânico', 1937

Do Livro 'O visionário', 1941

Do Livro 'As metamorfoses', 1944

Do Livro 'Mundo enigma', 1945

Do Livro 'Poesia liberdade', 1947

Do Livro 'Contemplação de Ouro Preto', 1954

Do Livro 'Poesias', 1959

Do Livro 'Tempo espanhol', 1959

Do Livro 'Convergência', 1970

Para consultar

Outras informações sobre Murilo Mendes estão disponíveis no Museu de Arte Murilo Mendes.

Para aprofundar o estudo sobre a poeta:

Amoroso, M. B. (2001). Passeio na biblioteca de Murilo Mendes. Remate de Males, 21(2), 123-152.
Amoroso, M. B. (2012). Murilo Mendes nos jornais: entre a política e a religião. Literatura e Sociedade, 17(16), 82-98.
Camêlo, F. T. (2016). Cartografia da infância: exercício de releitura de A idade do serrote, de Murilo Mendes. FronteiraZ. Revista do Programa de Estudos Pós-Graduados em Literatura e Crítica Literária, (17), 155-169.
Carvalhal, T. F. (2003). Cartas e Poemas de Murilo Mendes: breve notícia. Scripta, 6(12), 55-61.
Cavalcanti, L. M. D. (2022). Figurações de Orfeu e de Prometeu na poesia de Murilo Mendes. Texto Poético, 18(37), 131-159.
Cavelagna, R. (2017). O essencialismo e outros conceitos estéticos na obra de Murilo Mendes. A Palo Seco–Escritos de Filosofia e Literatura, 51-62.
Costa, H. (2009). Frente ao Oráculo: Murilo Mendes escreve Siciliana. Via Atlântica, 10(1), 267-274.
da Cunha Pereira, G. (2006). Espaços urbanos, espaços deslocados em Murilo Mendes. CASA: Cadernos de Semiótica Aplicada, 4(1).
da Glória Bordini, M. (1996). A representação da história na poesia: o caso Murilo Mendes. Letras de Hoje, 31(4).
da Silva, R. R. (2003). Tempo e eternidade: a poesia religiosa de Jorge de Lima e de Murilo Mendes. Terra Roxa e Outras Terras: Revista de Estudos Literários, 3, 119-136.
de Almeida Rocha, W. T. (2011). Corpo e alma: a tensão entre os contrários na poesia de Murilo Mendes. Revista Crioula, (9).
de Carvalho, R. S. (2008). Murilo Mendes escreve cartas aos espanhóis. Teresa: Revista de Literatura Brasileira, (8-9), 56-67.
de Castro, P. C. (2014). A transculturação em Murilo Mendes. Estação Científica, 8(JAN./JUN./).
de Lima Martinez, L. Y., & Rebello, L. S. (2019). Murilo Mendes: Memória e Vida Cultural. Caderno de Letras, (33), 233-249.
de Lourdes Eleutério, M. (2001). Murilo Mendes, colecionador. Remate de Males, 21(2), 31-62.
de Souza Andrade, F. R. (1993). Jorge de Lima e Murilo Mendes: confluências e divergências. Revista de Letras, 199-220.
Donoso, T. B. (2016). “As metamorfoses” de Murilo Mendes. Olho d'água, 8(2).
Drumond, A. L. (2016). Murilo Mendes: a merquioroscopia de um visionário. Revista Araticum, 13(1), 1-18.
Ferraz, E. (2001). Em Portugal, com Murilo Mendes. Convergência Lusíada, 16(18), 98-111.
Finazzi-Agrò, E. (2012). A pátria dos outros: A “poesia menor” de Murilo Mendes. Remate de Males, 32(1), 9-18.
Freitas, I. (2004). A pedagogia da história de Murilo Mendes (São Paulo, 1935). Sæculum-Revista de História, 11, 162-175.
Frias, J. M. (1999). Murilo Mendes e o cosmotexto ideogramático. Revista da Faculdade de Letras-Línguas e Literaturas, 16.
Frias, J. M. (2001). O "Surrealismo Lúcido" de Murilo Mendes. Remate de males, 21(2), 63-93.
Guimarães, J. C. (2012). A forma severa-Ajustes de roteiro em Murilo Mendes. Remate de Males, 32(1), 19-33.
Honesko, V. N. (2016). Murilo Mendes, as janelas e o diabo. Revista letras, (93), 52-69.
Jackson, K. D. (2021). Murilo Mendes, a disciplina do indisciplinado. eLyra: Revista da Rede Internacional Lyracompoetics, (17), 103-112.
Mammì, L. (2012). Murilo Mendes, crítico de arte. Remate de Males, 32(1), 81-93.
Picchio, M. S. (2003). Murilo Mendes poeta italiano. Scripta, 6(12), 44-54.
Souza, V. D. (2008). História e literatura: uma relação de amor e ode em História do Brasil de Murilo Mendes. Estudos Históricos (Rio de Janeiro), 21, 45-58.
Souza, V. D. (2009). Memória poética do espaço: Ouro Preto por Murilo Mendes. Estudos Históricos (Rio de Janeiro), 22(43), 163-175.
Sterzi, E. (2010). Murilo Mendes: a aura, o choque, o sublime. Literatura e Autoritarismo, (5).
Sterzi, E. (2012). Coisas, e a morte que existe nelas. Murilo Mendes e o trabalho do poeta. Remate de males, 32(1), 35-51.
Vieira, D. S. (2006). As representações da modernidade na poesia de Murilo Mendes. Trama, 2(4), 47-70.