O cemitério - Murilo Mendes
Poema de Murilo Mendes
Céu azul com animais
E uma corneta ecoando.
Pobre vento sem personalidade
Que não traduz a morte
Nem sugere Emily Brontë,
Mas útil vento humano
Que recorda os vivos
- Os vivos sem metafísica nem refúgios
Do lado dos mortos
Há um fogo que dança.
Os cadáveres das flores
São os mais abandonados.
Duas crianças tomam sombra
Sentadas num túmulo.
"Aqui Antônia
Irmã do padre Francisco de Luna
Espera a ressurreição dos mortos”.
Fonte: "Poesia completa e prosa", Nova Aguilar, 1994.
Originalmente publicado em: "Poesia liberdade", Editora Globo, 1945.
