Grafito para Mário Pedrosa - Murilo Mendes
Poema de Murilo Mendes
Um aviãopássaro passa
Carregando um homem dentro:
Não transmite nenhum canto.
*
Atacam-me Mercedes, Julietas.
Será mesmo o osso do peão
Igual ao do cosmonauta?
*
Sigo cego maquinal
Signos mágicos disparados
Cego sigo maquinal
Siga/ avanti / alt / stop
Cego sigo maquinando.
*
Cartaz: texto instantâneo
Linha curta entre dois contextos
Vida--------------------morte.
*
Irmão da rua, nenhum irmão.
Quem toco sem o situar?
Qual de nós é homenizado?
Será o homem inconcluído?
Fonte: "Poesia completa e prosa", Nova Aguilar, 1994.
Originalmente publicado em: "Convergência", Duas Cidades, 1970.
