Naturezas mortas - Murilo Mendes
Poema de Murilo Mendes
Cada forma distanciada de sua substância
Clama seu exílio na mesa.
A lâmpada murmura nomes de outras gerações,
A mão solta a concha das veias.
O grande livro da vida
Descola pouco a pouco as letras capitais
E adormece:
Imediatamente a família se reúne à mesa
Em torno do retrato do herói morto.
A família se reúne em torno do homem tradicional
Que amou, que riu, que trabalhou.
Mas desconhece até agora o homem novo
Que sobe do outro lado do abismo
E que produz, rude violoncelo,
Uma queixa nunca dantes ouvida.
Fonte: "Poesia completa e prosa", Nova Aguilar, 1994.
Originalmente publicado em: "Poesia liberdade", Editora Globo, 1945.
