Emaús

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Poema de Murilo Mendes



Sempre és o hóspede - nunca és o rei.
Muito mais derrotado que vitorioso.
Quando chegas e bates ao meu coração
Eu não te reconheço - há luz demais -
Debruço-me sobre as gravuras do caminho.
Quando te afastas - acompanhado pelo peixe azul -
Quando as formas se movem como num aquário,
Então eu levanto enternecido a lanterna
E logo começo a desejar que voltes,
Fascinado pela tua obscuridade.



Fonte: "Murilo Mendes: Melhores Poemas", Global Editora, 2012.
Originalmente publicado em: "Mundo Enigma", Livraria do Globo, 1945.



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