Manoel de Barros

Manoel de Barros - poeta da terceira geração do modernismo brasileiro.


Poeta do mundo natural e do ínfimo e ao imagético, construindo uma estética de vocabulário inventivo e de "vanguarda primitiva", uma das principais referências da poesia contemporânea no Brasil.

Biografia

Manoel Wenceslau Leite de Barros nasceu em 19 de dezembro de 1916, no Beco da Marinha, na cidade de Cuiabá, Mato Grosso. Era o segundo filho de João Leite de Barros e Alice Pompeu Leite de Barros. A família instalou-se em Corumbá quando Manoel tinha dois meses, transferindo-se depois para uma fazenda na região da Nhecolândia, no Pantanal.

Foi alfabetizado na infância por uma tia e frequentou um internato em Campo Grande, onde concluiu os estudos primários. Mais tarde Manoel mudou-se para o Rio de Janeiro, então capital federal, cursando o ensino ginasial e secundário em regime de internato no Colégio São José, dos irmãos maristas, onde aprofundou leituras de obras de literatura.

No Rio entrou para o curso de Direito em 1934, formando-se bacharel em 1941. Filiou-se ao Partido Comunista em 1935, durante o Estado Novo, participando das atividades da juventude comunista. Após grafitar uma estátua, foi procurado pela polícia getulista na pensão em que morava. A intervenção da dona da pensão evitou que Manoel fosse detido na delegacia, mas os policiais apreenderam o manuscrito de um livro que ele havia escrito.

Publicou o primeiro livro de poesia em 1937. Depois de formar-se, retornou por um breve período para o Mato Grosso, regressando ao Rio de Janeiro, onde empregou-se como advogado no Sindicato dos Pescadores. Entre 1943 e 1945, viajou para os Estados Unidos, pela América do Sul e Europa. Desligou-se do Partico Comunista em 1945, quando Luis Carlos Prestes declarou apoio a Getúlio Vargas.

Manoel casou-se em 1947 com Stella dos Santos Cruz, união que renderia três filhos. Nas décadas seguintes conciliou vida familiar, trabalho e publicação de poesia. No fim da década de 1950, herdou uma fazenda no Pantanal. Por sugestão da mulher, mudou-se com a família para o Mato Grosso, assumindo a administração da propriedade e a atividade de pecuarista.

Na década de 1960, a poesia de Manoel consolidou seu reconhecimento crítico, ganhando ele o Prêmio Orlando Dantas, em 1961, e o Prêmio Nacional de Poesia em Brasília e o Prêmio da Fundação Cultural do Distrito Federal, em 1969. Esse reconhecimento, no entanto, ainda não era acompanhado pelo reconhecimento público.

Foi nas décadas de 1970 e 1980, através da divulgação por figuras como Millôr Fernandes, que a poesia de Manoel amplio seu alcance de público. Seus livros receberam diversas premiações, com edições reunidas e traduções em várias línguas. Manoel continuou publicando poesia num ritmo constante até o fim da vida. Em 2013, faleceu em Campo Grande, aos 97 anos. A causa registrada foi falência múltipla de órgãos após sua internação hospitalar.

Obras

Do livro 'Poemas concebidos sem pecado', 1937

Do livro 'Face imóvel', 1942

Do livro 'Poesias', 1956

Do livro 'Gramática expositiva do chão', 1969

Do livro 'Matéria de poesia', 1974

Do livro 'Arranjos para assobio', 1982

Do livro 'O guardador de águas', 1989

Do livro 'Concerto a céu aberto para solos de ave', 1991

Do livro 'O livro das ignorãças', 1993

Do livro 'Livro sobre nada', 1996

Do livro 'Retrato do artista quando coisa', 1998

Do livro 'Exercícios de ser criança', 1999

Do livro 'Tratado geral das grandezas do ínfimo', 2001

Do livro 'O fazedor de amanhecer', 2001

Do livro 'Cantigas por um passarinho à toa', 2003

Do livro 'Poemas rupestres', 2004

Do livro 'Menino do mato', 2010

Para consulta

Outras informações estão disponíveis no Fundação Manoel de Barros.

Para aprofundar o estudo sobre Manoel de Barros:

Amara, S. L. G..; Marinho, M. (2004). A poética do devaneio em Manoel de Barros: ilogismos de um demiurgo. O guardador de inutensílios – cadernos de cultura, Campo Grande, UCDB, n. 7. p. 61-69.
Carrascoza, J. A. (2018). O consumo, o estilo eo precário na poesia de Manoel de Barros. Bakhtiniana: Revista de Estudos do Discurso, 13(1), 5-16.
David, N. A. (2005). A poesia de Manoel de Barros e o mito de origem. Terra Roxa e Outras Terras: Revista de Estudos Literários, 5, 17-32.
da Silva Costa, V., & Bastazin, V. L. (2020). Os outros: o melhor de mim sou eles (encontros, acasos e silêncios na escritura de Manoel Barros). Revista da Anpoll, 51(3), 148-156.
da Silva, G. D. C., & Roesler, G. M. (2025). Manoel de Barros e a entrevista poética. Letras de hoje, 60(1), e48076-e48076.
de Camargo, G. O. (2001). O cânone crítico-poético de Manoel de Barros. Organon, 15(30-31).
de Campos, L. L., & Rodrigues, R. R. (2011). Fronteiras e identidades na poesia de Manoel de Barros. ANTARES: Letras e Humanidades, (5), 191-209.
de Lima Camara, T. M. N. (2014). O léxico como marca de expressividade em Manoel de Barros. Léxico: investigação e ensino, 119.
de Moraes, P. E. B., & de Campos Maciel, J. (2011). A reinvenção da infância perdida na obra de Manoel de Barros.
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