Grafito numa cadeira - Murilo Mendes
Poema de Murilo Mendes
Cadeira operada dos braços
Fundamental que nem osso
Não poltrona com pés de metal
Knoll
Ou projetada por um sub-Moholy Nagy
Com nota didascálica
Antes cadeira no duro
Cadeira de madeira
Anônima
Inânime
Unânime
Cadeira quadrúpede
Não aguardas
Nenhuma “iluminação" particular
Nem assento e clavícula de nenhuma deusa
Que te percutisse - gong -
Nem de nenhum Van Gogh
Que súbito te tornasse
Eterna.
Fonte: "Poesia completa e prosa", Nova Aguilar, 1994.
Originalmente publicado em: "Convergência", Duas Cidades, 1970.
