Mário Quintana (1906–1994) foi um popular poeta do século XX, caracterizado pela aparente simplicidade, ironia e atenção à passagem do tempo.
Biografia
Mario de Miranda Quintana nasceu em 1906, em Alegrete, Rio Grande do Sul, sob um rigoroso inverno. Filho do farmacêutico Celso de Oliveira Quintana e de Virgínia de Miranda Quintana, foi o quarto filho do casal. Na infância, devido à epilepsia e à timidez, mantinha uma rotina caseira, sendo descrito como um "menino de aquário". Aprendeu a ler cedo e adquiriu noções da língua francesa com os pais.Frequentou a Escola Elementar mista de Dona Mimi Contino em 1914 e, entre 1915 e 1918, a escola do mestre português Antônio Cabral Beirão, ambos em Alegrete. No ano de 1919, Quintana ingressou no internato do Colégio Militar de Porto Alegre. Publicou suas primeiras produções literárias aos 13 anos na revista estudantil Hyloea. Embora tivesse bom desempenho em disciplinas como Português, Francês e História, Quintana foi reprovado repetidas vezes em Matemática, o que o levou, entre 1923 e 1924, a abandonar o colégio secundário sem se formar.
Trabalhou por cerca de três meses como caixeiro na Livraria do Globo, em Porto Alegre, sob a gerência de Mansueto Bernardi. Por exigência do pai, retornou a Alegrete para atuar na farmácia da família, atividade que exerceu como prático por cerca de cinco anos. Quintana estreou formalmente na literatura em 1926, ao vencer um concurso de contos do jornal Diário de Notícias de Porto Alegre com o trabalho intitulado "A Sétima Personagem". No ano seguinte, teve um poema publicado no Rio de Janeiro na revista Para Todos, por iniciativa do cronista Alvaro Moreyra. Anos também de luto: perdeu a mãe em 1926 e o pais em 1927.
Entre 1928 e 1929, Quintana ingressou na redação do jornal político-partidário O Estado do Rio Grande, dirigido por Raul Pilla em Porto Alegre. Para os artigos que escrevia, criava títulos segundo métricas poéticas e com rimas. Em 1930, passou a colaborar com a Revista do Globo e, no mesmo ano, alistou-se como voluntário no 7º Batalhão de Caçadores de Porto Alegre para participar da Revolução de 1930. Deslocado para o Rio de Janeiro por seis meses, atuou no policiamento da cidade, no diário da tropa e na vigilância da região do Mangue. Durante essa estadia na capital federal, conheceu a poetisa Cecília Meireles.
Em 1931, retornou a Porto Alegre e à redação de O Estado do Rio Grande, permanecendo ali até o fechamento definitivo do periódico por ordens de Flores da Cunha em 1932. No ano de 1934, Quintana iniciou trabalhos avulsos para o jornal Correio do Povo, e também consolidou-se como tradutor para a Editora Globo. Retornou ao Rio de Janeiro entre 1935 e 1938, trabalhando no jornal Gazeta de Notícias. Após recusar um cargo de pesador de ouro na Casa da Moeda oferecido por Mansueto Bernardi, solicitou auxílio a Erico Verissimo e retornou a Porto Alegre para dedicar-se integralmente às traduções. Fluente em francês e espanhol, e tendo aprendido inglês de forma autônoma, Quintana traduziria ao longo das décadas seguintes dezenas de obras de autores internacionais.
Publicou o primeiro livro de poesia, A Rua dos Cataventos, em 1940. Em 1943, Quintana criou a coluna jornalística "Do Caderno H", dedicada à literatura, aforismos e reflexões cotidianas marcadas pelo humor e pela ironia. A coluna sairia na revista trimestral Província de São Pedro a partir de 1945 e, posteriormente, no jornal Correio do Povo a partir de 1953, onde Quintana atuou como redator auxiliar e permaneceu até a falência do periódico na década de 1980.
Ao longo das décadas, Quintana publicaria diversos livros, consolidando-se como figura do meio literário nacional a partir da década de 1960. A publicação de sua Antologia Poética em 1966, organizada por Rubem Braga e Paulo Mendes Campos, ampliou significativamente sua recepção crítica e lhe rendeu o Prêmio Fernando Chinaglia de melhor livro do ano. No mesmo ano, foi homenageado em sessão solene na Academia Brasileira de Letras (ABL). Em 1980, a Academia concedeu-lhe o Prêmio Machado de Assis pelo conjunto de sua obra literária. Candidatou-se a uma vaga três vezes, todas sem sucesso.
De existência discreta, desapegado a bens materiais e a formalidades institucionais, Quintana nunca se casou e não deixou descendentes. Residiu em pensões e hotéis no centro de Porto Alegre grande parte de sua vida adulta, em especial o Hotel Majestic, de 1968 a 1980. Posteriormente tombado, o prédio foi convertido na Casa de Cultura Mario Quintana por lei municipal de 1983. Um ano depois, ele faleceu em Porto Alegre.
Obras e poemas
Do livro 'A Rua dos Cataventos', 1940'Lá onde a luz' | 'Detrás de um muro' | 'Minha morte' | 'Na vez primeira' | 'O dia abriu' | 'Dentro da noite' | 'Quando os meus olhos' | 'Dorme, ruazinha' | 'Escrevo diante da janela'
Do livro 'Canções', 1946
Canção do primeiro ano | Canção do amor imprevisto | Canção dos romances perdidos | Canção da ruazinha perdida | Canção da chuva e do vento | Canção do dia de sempre | Canção meio acordada | Canção de nuvem e vento | Canção de um dia de vento | Canção de vidro | Canção do suicida | Canção de outono | Canção da primavera
Do livro 'Sapato Florido', 1948
Do livro 'O aprendiz de feiticeiro', 1950
Do livro 'Espelho mágico', 1951
Do livro 'Caderno H', 1973
Do livro 'Apontamentos de história sobrenatural', 1976
Este quarto | Canção para depois | Saída da escola | O morto | Ser e estar | Pesquisa | Pedra rolada | O velho do espelho | Tarde antiga | Retrato sobre a cômoda | Poema olhando um muro | Poema | Ritmo | Noturno III | Presença | Olho as minhas mãos | Pequeno poema didático | O espelho
Do livro 'A vaca e o hipogrifo', 1977
Do livro 'Esconderijos do Tempo', 1980
Sôbolos rios que vão | Os retratos | Sonho de uma noite de verão | Elegia ecológica | Alquimias | Evolução | Seiscentos e sessenta e seis | Jogos pueris | Retrato do poeta na idade ingrata | Bilhete | Viagem antiga | As mãos de meu pai | Solau à moda antiga | Crônica | O baú | A casa grande | Vida | Intermezzo
Do livro 'Baú de espantos', 1986
Havia | Louca | O velho poeta | Viver | Meu bonde passa pelo Mercado | Metamorfoses do vento | Pequeno poema de após chuva | Viagem | A sesta | O poema adormecido | Segundo poema de abril: o navegador | Invitation au voyage | Astrologia | Alma errada | Noturno da viação férrea | Deixa-me seguir para o mar | Torre azul | Quinta coluna | Poema transitório
Do livro 'Preparativos de viagem', 1987
A imagem perdida | Bibliotecas | Chove! | Pequeno inventário | Brasa dormida | A companheira | Passarinho na tarde de sábado | Poeminha sentimental | O gato | 'A louca agitação'
Do livro 'Da Preguiça como método de trabalho', 1987
Os retratos (II) | Estampas | Edificante Poema Escrito em Portuñol | Crônica (II) | O que o vento não levou
Do livro 'Porta Giratória', 1988
Noturno arrabaleiro | Bola de cristal | O descobridor | Poema louco de desespero | Serenidade | A verdadeira arte de viajar | Poema para uma exposição | Maquinações da insônia | Essa lembrança que nos vem | Do ideal | Matinal | À maneira de Jacques Prévert | Quem ama inventa | O futuro | Magias | A mudança | Jardim interior | Carta | Porto parado
Do livro 'Velório sem Defunto', 1990
Confissão | Reflexão para o dia de finados
Para consulta
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