Noturno da viação férrea

Imagem de Mário Quintana

Poema de Mario Quintana


Ora, os fantasmas são viajantes noturnos.
Se aboletam nos carros vazios e ficam
(por que será que os fantasmas não fumam?)
a olhar o mundo que desliza...
Mas sucede que as máquinas estavam manobrando apenas.
E depois veio a luz crescente, a luz cruel,
situando e ambientando as coisas.
E quando surgem, cabalísticos, os primeiros letreiros:
Hotel Savóia, Ao Pente de Ouro, Saúde da Mulher,
os fantasmas, puídos de claridade,
soltam um suspiro e se desvanecem.



Fonte: "Quintana de Bolso", Editora L&PM Pocket, 2007.
Originalmente publicado em: "Baú de Espantos", 1986.


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