Pequeno poema didático

Imagem de Mário Quintana

Poema de Mario Quintana



O tempo é indivisível. Dize
Qual o sentido do calendário?
Tombas as folhas e fica a árvore,
Contra o vento incerto e vário.

A vida é indivisível. Mesmo
A que se julga mais dispersa
E pertence a um eterno diálogo
A mais inconsequente conversa.

Todos os poemas são um mesmo poema,
Todos os porres são o mesmo porre,
Não é de uma vez que se morre...
Todas as horas são horas extremas!



Fonte: "Quintana de Bolso", Editora L&PM Pocket, 2007.
Originalmente publicado em: "Apontamentos de história sobrenatural", 1976.


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