Crônica (II) - Mario Quintana
Poema de Mario Quintana
O Objeto Amado olha-me de relance.
Meu Deus, como ele é antiquado!
Há muito tempo não se namora com os olhos.
Há muito tempo não há mais romance.
Fluía antes um longo desejo
pelo TSF da distância.
E havia gente que guardava um olhar
por toda a vida, como uma jóia intransmissível.
E tudo era como nos livros e nos filmes
enquanto estes não copiavam a vida.
Como não há suspiros, foram-se os poetas líricos...
O mundo ficou com uma corda a menos.
Fonte: "Poesia Completa", Editora Nova Aguilar, 2006.
Originalmente publicado em: "Da preguiça como método de trabalho", 1987.
