Mario Quintana
E como eu passasse por diante do espelho
não vi meu quarto com as suas estantes
nem este meu rosto
onde escorre o tempo.
Vi primeiro uns retratos na parede:
janelas onde olham avós hirsutos
e as vovozinhas de saia balão
como paraquedistas às avessas que subissem do fundo do tempo.
O relógio marcava a hora
mas não dizia o dia. O Tempo,
desconcertado,
estava parado.
Sim, estava parado
em cima do telhado...
como um cata-vento que perdeu as asas!
Fonte: "Quintana de Bolso", Editora L&PM Pocket, 2007.
Originalmente publicado em: "Apontamentos de história sobrenatural", Editora Globo & Instituto Estadual do Livro, 1976.
