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Poema de Mario Quintana


Detrás de um muro surge a lua. Em frente
Acendem-se os lampiões. A noite cai.
Na praça a banda toca, de repente,
Um samba histérico... Aflições, dançai!

Mas qual! Meu coração triste e indolente
Olha sem ver, de tudo se distrai...
Que pena faz uma criança doente!
Como ele está... Cada passito é um ai...

Vai morrer atacado de si mesmo...
Dos longos poentes que passou a esmo
A embebedar-se de Cinzento e Roxo.

E enquanto a Vida corre - ó Mascarada!
Ele abre, vagamente, sobre o Nada,
O seu olhar sonâmbulo de mocho...



Fonte: "Poesia Completa", Editora Nova Aguilar, 2006.
Originalmente publicado em: "A rua dos cataventos", 1940.

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