O precipício - Manoel de Barros
Poema de Manoel de Barros
Mariquinha-besouro desembarcou da lancha Iguatemi num dia aziago
Virou logo as costas para o rio, subiu a Ladeira Cunha e Cruz, entrou na cidade xingando Deus e o mundo.
Até rolar pela barranqueira
E desaparecer.
Foi parar nos fundos de um precipício.
Lá onde branquejam os ossos do Sargento Aquino, fuzilado na revolta de 1917
Debaixo de um tarumeiro.
Fonte: "Poesia Completa", Editora Leya, 2010.
Originalmente publicado em: "Poemas concebidos sem pecado", 1937.
