Não vou perturbar a paz - Manoel de Barros
Poema de Manoel de Barros
De tarde um homem tem esperanças.
Está sozinho, possui um banco.
De tarde um homem sorri.
Se eu me sentasse a seu lado
Saberia de seus mistérios
Ouviria até sua respiração leve.
Se eu me sentasse a seu lado
Descobriria o sinistro
Ou doce alento de vida
Que move suas pernas e braços.
Mas, ah! eu não vou perturbar a paz que ele depôs na praça, quieto.
Fonte: "Poesia Completa", Editora Leya, 2010.
Originalmente publicado em: "Face imóvel", 1942.
