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Poema de Manoel de Barros



No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo escava no começo, lá onde a
criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não funciona
para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um verbo, ele
delira.
E pois.
Em poesia que é voz de poeta, que é a voz de fazer
nascimentos -
O verbo tem que pegar delírio.



Fonte: "Livro das Ignorãças", Editora Record, 2000.
Originalmente publicado em: "Livro das Ignorãças", 1993.


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