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Poema de Manoel de Barros



Seria homem ou pássaro?
Não tinha mãos.
Vestígios de sua boca iam para flor.
Havia uns sonhos
dependurados como roupa.
Uns podres ornamentos de pano e móbiles.
Gâmbias dispersas,
Cata-vento. Perto
Havia um barco.
Barco ou peixe?
Não pude precisar.
Vi o homem andando para semente
E a semente no escuro remando para raiz.



Fonte: "Poesia Completa", Editora Leya, 2010.
Originalmente publicado em: "Poesias", 1947.


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