* - Manoel de Barros
Poema de Manoel de Barros
Seria homem ou pássaro?
Não tinha mãos.
Vestígios de sua boca iam para flor.
Havia uns sonhos
dependurados como roupa.
Uns podres ornamentos de pano e móbiles.
Gâmbias dispersas,
Cata-vento. Perto
Havia um barco.
Barco ou peixe?
Não pude precisar.
Vi o homem andando para semente
E a semente no escuro remando para raiz.
Originalmente publicado em: "Poesias", 1956.
