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Poema de Manoel de Barros



Ponho por caso um tonto.
Um que a natureza progredisse
para árvore.
Um que vadiasse de ave como
as pedras vadiam de orvalho.
Um que soubesse de flor
como as abelhas sabem.
Isso isso!
Ele era um tonto que quisesse
adquirir uma linguagem de rã.
Para se escrever em rã.



Fonte: "Poesia Completa", Editora Leya, 2010.
Originalmente publicado em: "Menino do mato", 2010.

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