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Imagem de Manoel de Barros

Poema de Manoel de Barros



Tudo o que se há de dizer aqui sobre capivaras, nem as mentiras podem ser comprovadas. Se esfregam nas árvores de tarde antes do amor. Se amam sem ocupar beijos. Excitadas se femeiam por baixo dos balseiros. E ali se aleluiam. O cisco das raízes aquáticas e a bosta dos passarinhos se acumulam no lombo das capivaras. Dali se desprende ao meio-dia forte calor de ordumes larvais. No lombo se criam mosquitos monarcas, daqueles de exposição, que furam até vidros e abaixam pratos de balança. É vezo de dizer-se então que capivara é um bicho insetoso. Porquanto favorecem a estima dos pássaros, sobretudo dos bentevis que lhes almoçam larvas ao lombo. Coisa que todo mundo gosta, tirante as capivaras, é de flor. Pelo que já não entendo, existem razões particulares ou individuais que expliquem tal desgosto das capivaras por flor? Todas guardam água no olho.



Fonte: "Livro das Ignorãças", Editora Record, 2000.
Originalmente publicado em: "Livro das Ignorãças", 1993.


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