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Poema de Manoel de Barros



Depois que atravessarem o muro e a tarde os caracóis cessarão.
Às vezes cessam ao meio.
Cessam de repente, porque lhes acaba por dentro a gosma com que sagram os seus caminhos.
Vêm os meninos e os arrancam da parede ocos.
E com formigas por dentro passeando em seus restos de carne.
Essas formigas são indóceis de ocos.
Ah, como serão ardentes nos caracóis os desejos de voar!

PS.: Caracol é uma solidão que anda na parede.



Fonte: "Poesia Completa", Editora Leya, 2010.
Originalmente publicado em: "Concerto a Céu Aberto para Solos de Aves", 1989.


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