Marly de Oliveira
Marly de Oliveira foi relevante poeta brasileira da segunda metade do século XX, vinculada à terceira geração do Modernismo.
Biografia
Marly nasceu no ano de 1938 em Cachoeiro de Itapemirim, Espírito Santo. Passou a infância e a adolescência em Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, onde concluiu o estudo primário num colégio católico e o secundário no Liceu de Humanidades. Cedo desenvolveu o interesse em literatura, publicando poemas em jornais e revistas locais.Mudou-se com a família para o Rio de Janeiro. Matriculou-se no curo de Letras Neolatinas da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Enquanto era estudante, pelo apoio de seus professores, entre eles Aurélio Buarque de Holanda e Antonio Houaiss, publicou em 1957 o primeiro livro de poesias, recebendo premiação do Instituto Nacional do Livro.
Graças a uma bolsa de estudo, fez pós-graduação na Universidade de Roma, cursando História da Língua Italiana e Filologia Românica - que levaria a um doutorado. Foi quando publicou o segundo livro de poesia, em 1960. Retornando ao Brasil, Marly iniciou a carreira como professora universitária, primeiro na cadeira de Literatura Hispano-Americana da PUC/RJ e da PUC/Petrópolis.
Também lecionou, entre 1962 e 1967, Língua, Literatura Italiana e Literatura Hispano-Americana na Faculdade das Doroteias, em Friburgo, interior do Rio de Janeiro. Paralelamente ao magistério, publicava ensaios, artigos e críticas literárias em periódicos brasileiros e estrangeiros. Entre eles, uma pioneira defesa crítica, que tomou as páginas do Jornal do Brasil, da literatura de Clarice Linspector.
Apadrinhada por Manuel Bandeira, Clarice Lispector e o ex-Presidente Juscelino Kubitschek, Marly casou-se em 1964 na Igreja do Outeiro da Glória com Lauro Moreira, estudante de direito que ingressaria na carreira diplomática e com quem teria duas filhas. O terceiro livro de poesia saiu em 1962, sendo vencedor do prêmio Olavo Bilac da Academia Brasileira de Letras.
O primeiro posto diplomático do marido foi em Buenos Aires, para onde mudaram-se em 1968. Segundo a própria poetisa, um momento de vida social intensa, mas "encontros nem sempre verdadeiros". Na capital argentina, conheceu Jorge Luís Borges e traduziu uma de suas obras para o português.
De Buenos Aires, partiram para Genebra, onde permaneceram por quatro anos. Voltaram para Brasília em 1974, onde construíram uma casa no Lago Sul. O casamento viria a término por volta de 1981. Ela voltaria com as filhas para o Rio de Janeiro em 1986, e meses depois foi pedida em casamento pelo poeta João Cabral de Melo Neto - que havia enviuvado recentemente.
Cônsul geral na cidade do Porto, João Cabral precisava cumprir o ano restante no posto. Marly acompanhou-o, até retornarem ao Rio de Janeiro. Depressivo, sofrendo de uma cegueira degenerativa, Marly dedicou-se ao cuidado do marido nos seus últimos anos de vida. Obrigava-o a tomar antidepressivos, vigiava seu consumo de bebidas alcoólicas por causa dos medicamentos.
Ela também organizou a publicação das obras completas do marido, que lhe dedicou um de seus livros de poesia. Auxiliou João Cabral, debilitado em função da cegueira e da depressão, nos últimos anos de vida, escrevendo para ele discursos, apresentações e agradecimentos. Ocupava-se muito do marido, numa rotina estressante.
Com a morte do segundo marido em 1999, Marly permaneceu os anos seguintes um tanto deprimida. Recebera convites para dar aulas, mas respondeu a nenhum. Também não concluiu para publicação seu último livro nem reuniu seus artigos publicados em jornais. Não aprendeu a lidar com computadores. Faleceu no Rio de Janeiro em 2007, após quatro meses de internação hospitalar.
Obras e poemas
Do livro 'Cerco da primavera', 1957A ponte | A cidade | Cantiga | Romã | Canções por amor VI | Canções por amor II | À beira do Paraíba | Elegia | Morte | Praça | Canções por amor V | Canções por amor I | Retrato | Epigrama | Albas IV | Albas II | Albas I | Presente
Do livro 'Explicação de Narciso', 1960
A suave pantera XVI | A suave pantera XIV | A suave pantera XII | A suave pantera X | A suave pantera IX | A suave pantera VI | A suave pantera V | A suave pantera IV | A suave pantera III | A suave pantera I
Do livro 'A vida natural/ O sangue na veia', 1967
O sangue na veia XLVI | O sangue na veia XLIII | O sangue na veia XLI | O sangue na veia XXXVIII | O sangue na veia XXXV | O sangue na veia XXXIV | O sangue na veia XXX | O sangue na veia XXIX | O sangue na veia XXVI | O sangue na veia XXIV | O sangue na veia XXI | O sangue na veia XX | O sangue na veia XIX | O sangue na veia XVIII | O sangue na veia XVII | O sangue na veia XVI | O sangue na veia XV | O sangue na veia XII | O sangue na veia X | O sangue na veia IX | O sangue na veia VIII | O sangue na veia VI | O sangue na veia V | O sangue na veia IV | O sangue na veia III | O sangue na veia II | O sangue na veia I | A vida natural XXXVI | A vida natural XXIX | A vida natural XXVII | A vida natural XXVI | A vida natural XXIV | A vida natural XX | A vida natural XVIII | A vida natural XVI | A vida natural XIV | A vida natural XII | A vida natural XI | A vida natural VIII | A vida natural VII | A vida natural VI | A vida natural IV | A vida natural III | A vida natural II
Do livro 'Contato', 1975
Canto XXVI | Canto XXV | Canto XXII | Canto XXI | Canto XX | Canto XVI | Canto XIV | Canto XIII | Canto XII | Canto IX | Canto VIII | Canto VI | Contato IV | Contato III | Contato I
Do livro 'Aliança', 1979
'Esta a minha' | 'Aquele que semeia' | 'Pior que o cão' | 'Esperar é sentir-se' | 'Revejo seu rosto' | 'Neste dia dedicado' | 'Na minha solidão' | 'Perdi a capacidade' | 'Despojam-me' | 'Por isso vos maldigo'
Do livro 'A força da paixão & A incerteza das coisas', 1982
'Minha alegria' | 'Insigne' | 'No escuro' | 'Paisagem de dezembro' | 'O que se vê' | 'Se se pudesse' | 'De repente o universo'
Do livro 'Retrato', 1986
Do livro 'Retrato', 1986
'Tornada' | 'Altos montes' | 'Tão longo' | 'O amor me redescobre' | 'Sempre desejei' | 'Pois recapitulemos' | 'Se de ânimo cativo' | 'Meu nome' | 'Falei depois' | 'A casa' | 'Uma de minhas aspirações' | 'Sobretudo eu entendia' | 'Houve um tempo'
Do livro 'O banquete', 1988
Do livro 'O banquete', 1988
'Para sobreviver' | 'Foi desde sempre o deserto' | 'Falar de amor' | 'Fica assim' | 'Como quem sempre' | 'E foi assim' | 'E a essa extrema pobreza' | 'A magia' | 'De minha infância' | 'Foi desde sempre, do início'
Do livro 'O deserto jardim', 1990
Do livro 'O deserto jardim', 1990
'No entanto' | 'O que se quer' | 'O segredo' | 'Assim como o amor' | 'Pois em círculos' | 'E ainda que' | 'E diante de' | 'De onde' | 'Suponho'
Do livro 'Antologia poética', 1997
Do livro 'Antologia poética', 1997
Era um vazio | Do lado de cá do Atlântico | A passagem veloz do tempo | Perto de Vancouver | O quarto em desordem
Para consulta
Lobo, J. C. (1991). Resenhas. Letras de Hoje, 26(3).
Poli Uliano Shinkawa, B. (2008). Marly de Oliveira : a poética do absurdo : Análise de Contato, Inovação de Orfeu, A Força da Paixão e a Incerteza das Coisas. Dissertação (Mestrado em Letras) - Universidade Estadual de Londrina, Centro de Letras e Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em Letras.
Poli Uliano Shinkawa, B. (2015). A dor da vida trágica e absurda: a poesia filosófica de Marly de Oliveira. Revista Filosofia Capital - ISSN 1982-6613, 10(17), 22–32.Soares, A. (1992). Eros emancipador (Momentos selecionados na poesia brasileira contemporânea). Letras, (3), 61-69.
Soares, A. (2004). Memórias da Opressão em Poetisas Brasileiras Contemporâneas. Texto Poético, 1(1).
Soares, A. (2005). Poesia e ecologia: um exercício crítico ecofeminista sobre o silenciamento das mulheres. Passages de Paris, 2(1), 260-272.
Soares, A. (2006). Ilimitáveis da memória/exercícios de metamemória (Cecília Meireles, Marly de Oliveira; Helena Parente Cunha; Astrid Cabral). Scripta, 10(19), 95-107.
