Marly de Oliveira
pesado como um saco
de arroz já colhido era uma
falta que nenhuma flauta pudesse
descrever vazio que doía mais que dente
quando dói mais que espinho
rasgando a pele no ato de colher
a flor que não havia mas crescia
no mato na memória no vácuo
aqui no Rio de Janeiro
era a concha aquela com ruído
de mar forma de caramujo
era a abelha incapaz de picar
deixando o mel apenas era a vespa
que se temia o anzol o ancinho
ávido.
Fonte: "Antologia poética", Editora Nova Fronteira, 1997.
Originalmente publicado em: "Antologia poética", Editora Nova Fronteira, 1997.
Fonte: "Antologia poética", Editora Nova Fronteira, 1997.
Originalmente publicado em: "Antologia poética", Editora Nova Fronteira, 1997.
