Marly de Oliveira
A minha descoberta essencial:
a de que o amor é o pulso do que existe,
e o que existe, existindo, é limitado,
e o que vive não tem escolha, vive,
e só segundo o amor que lhe tivermos
é que o veremos e que o alteraremos.
Como deixar, se a vejo, a flor em si,
se o que vejo é também o que não vejo,
e o que passa a existir dentro de mim?
Olho a flor, ela fica toda olhada,
vejo a flor, modifico-a porque a sinto,
porque sou livre para dar-lhe uma asa
com só vê-la parada e se florindo.
Tu, só tu, puro amor, podes o nada.
Fonte: "Contato", Editora Imago, 1975.
Originalmente publicado em: "A vida natural/ O sangue na veia", Editora Leitura S.A., 1967.
Fonte: "Contato", Editora Imago, 1975.
Originalmente publicado em: "A vida natural/ O sangue na veia", Editora Leitura S.A., 1967.
