Marly de Oliveira
Este jardim me lembra outro jardim,
este verde, outro verde; consenciente,
redescobre a memória o que de mim
sob contrários ventos permanece
intacto e edulçante, e copiosa
fonte de um bem-lembrar que se me impende.
Que manhãs a essas firmes e olorosas,
que tardes a essas tardes sem presságio
se podem comparar? que penserosas
noites a essas noites de pausado
divagar entre sonhos que cavavam,
no real, comissuras, mas tão raso
que tudo continuava em seu lugar?
e um dia a um outro dia sucedia,
de forma quase sempre a acrescentar.
Incorporo ao que vejo o que então via,
ao que sinto o que então de modo vago
sentia sem saber, ou não sentia,
de tal jeito o que vivo me ultrapassa,
e o que penso me excede e me destina
a inquirir sem sossego e sem cansaço,
levada de uma força desabrida;
menos que força, um ímpeto, um desejo
que reconheço em cada coisa viva
de persistir na própria natureza.
Fonte: "Contato", Editora Imago, 1975.
Originalmente publicado em: "Contato", Editora Imago, 1975.
Veja a biografia, lista de poemas e artigos sobre Marly de Oliveira
Fonte: "Contato", Editora Imago, 1975.
Originalmente publicado em: "Contato", Editora Imago, 1975.
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