Marly de Oliveira
Há um ritmo no amor como na cólera,
que a esta conduz ao fim e aquele à glória;
que esta se recomeça é por diverso
motivo, ao passo que ele, só em si mesmo
se inicia, se acaba e se renova.
Há um ritmo de cólera no amor,
como um ritmo de amor em toda cólera;
só que esta se desfaz em outra coisa
que não ela, chegada ao seu limite,
mas ele, quem já soube se extinguisse.
Chegado ao termo de si mesmo, é ainda
- a constância da glória no limite -
amor disposto ao recomeço e à fome,
ao eterno tendido do possível.
Fonte: "Contato", Editora Imago, 1975.
Originalmente publicado em: "A vida natural/ O sangue na veia", Editora Leitura S.A., 1967.
Fonte: "Contato", Editora Imago, 1975.
Originalmente publicado em: "A vida natural/ O sangue na veia", Editora Leitura S.A., 1967.
