Marly de Oliveira
É, contudo, no corpo que se encontra,
sem qualquer consciência ou liberdade,
- corpo real, matéria que animada
tivesse aquela suma qualidade
de ser pensante e móvel, não obstante
a sadia, inicial passividade -
uma atenção despreocupada e forte,
a primeira substância de verdade:
o ardor do que se sente e não se pensa,
e ao mesmo pensamento é anterior,
já que lhe falta a vã clarividência.
E faltando-lhe nada lhe subtrai
à condição, antes se lhe acrescenta,
pois menos vendo pode muito mais.
Fonte: "Contato", Editora Imago, 1975.
Originalmente publicado em: "A vida natural/ O sangue na veia", Editora Leitura S.A., 1967.
Fonte: "Contato", Editora Imago, 1975.
Originalmente publicado em: "A vida natural/ O sangue na veia", Editora Leitura S.A., 1967.
