O sangue na veia XXXV - Marly de Oliveira

Marly de Oliveira - poeta da terceira geração do modernismo brasileiro
Marly de Oliveira



No corpo que contraio e descontraio,
porque a lei deve ser obedecida,
porque a lei deve ser assegurada.
Nisso é que sou feliz, descontraída
como a árvore é alta e sem cuidado,
e o sono pode ser a paz antiga:
a paz gerando um sono em paina lenta,
dessa paina que voa, mas que fica,
não em si mesma, mas num oco suave,
que eu chamo apenas de descontração,
mas poderia ser felicidade;
felicidade, mas como eu entendo
a isenção da madeira utilizável,
e o abandono com paz ao que estou vendo.




Fonte: "Contato", Editora Imago, 1975.
Originalmente publicado em: "A vida natural/ O sangue na veia", Editora Leitura S.A., 1967.