Marly de Oliveira
Amor o fatalismo de escapar
ao difícil convívio de si mesmo,
atingir pela fuga o meu oposto,
de que me valho e a quem eu me submeto?
A quem eu me submeto com doçura,
doçura do que pesa e não tem peso,
doçura do que é bom porque está certo,
como nuvem que vejo e de que esqueço,
e nem por isso deixa de ser nuvem
- doçura do que vaga sobre as coisas -
ou ser doçura - nuvem de quem vive -
nuvem da nuvem de quem pensa e vive
a sua fuga real, a sua afoita
maneira de ser pobre e de ser livre.
Fonte: "Contato", Editora Imago, 1975.
Originalmente publicado em: "A vida natural/ O sangue na veia", Editora Leitura S.A., 1967.
Fonte: "Contato", Editora Imago, 1975.
Originalmente publicado em: "A vida natural/ O sangue na veia", Editora Leitura S.A., 1967.
