Marly de Oliveira
Sobre o rio, sobre as casas,
cúpulas, ponte, avenidas,
com acertos de acrobata,
pássaros metade luz,
metade sombra, levantam
o meio-dia de prata.
Nenhum silêncio mais puro
que o destes azuis prateados,
com cimos de catedral,
ciranda de ventos e anjos;
com aves de plumas negras,
negro ritmo nos telhados.
Ao longe campos perdidos
verdejam de hastes e canas.
E são espadas flexíveis,
verdes, livres oferendas.
E moinhos que vão rodando
duro rito de moendas.
No centro a praça mais ampla:
edifícios, plantas, água,
e bronze de monumentos.
Tudo tão perfeito e certo,
como se eu estivesse junto,
num ramo claro de vento.
Fonte: "Suave Pantera", Editora Orpheu, 1968.
Originalmente publicado em: "Cerco da primavera", Editora Livraria São José, 1957.
Fonte: "Suave Pantera", Editora Orpheu, 1968.
Originalmente publicado em: "Cerco da primavera", Editora Livraria São José, 1957.
