Marly de Oliveira
O olhar tão aceso
revela, revela.
Que força de abismo
na virgem pantera.
Que força de amor
na sua recusa;
o ventre cerrado
- quem julga? quem julga?
e a sua ventura
violenta, sedenta,
ensaiados membros
em surda paciência.
É vaga e concreta,
como que inspirada:
flutua em si mesma,
parada, parada
Fonte: "Antologia Poética", Editora Nova Fronteira, 1997.
Originalmente publicado em: "A suave pantera", Edições Anuário de Literatura Brasileira, 1962.
