Marly de Oliveira
A beleza se explica nessa falta
de alguma explicação, e dou às plantas
que crescem no silêncio,
e ao rio de água mansa,
a nova dimensão de não querer
ficar só na aparência, eu sob a sombra
que vem de uma árvore (ou
de mim?) e então me cobre.
Ah monja do silêncio, que sei eu?
que pretendo entender não entendendo?
abrigada, na noite,
de todas as violências,
noite onde tudo apenas pre-existe,
num sono unânime e completo, sem
a dureza da forma
e a força de ser vivo,
a força divergente de existir
em graus distantes do que é mais perfeito,
e a que se chega uma dia?
cada um por si.
Fonte: "Contato", Editora Imago, 1975.
Originalmente publicado em: "A vida natural/ O sangue na veia", Editora Leitura S.A., 1967.
