Marly de Oliveira
Com tanto furor interno,
quem a livra, quem a livra,
de ser o seu próprio inferno,
de, pelo fogo da ira,
consumir-se estando quieta,
de acabrunhar-se sozinha.
Nem se diria uma fera!
Nem se diria rainha!
As patas pisando o chão
tem uma dura leveza,
os pelos brilhando de ônix,
- de si mesma prisioneira -
caminha de um lado a outro
como pelo mundo inteiro.
Há esmeraldas de silêncio
nos seus olhares acesos.
Fonte: "Antologia Poética", Editora Nova Fronteira, 1997.
Originalmente publicado em: "A suave pantera", Edições Anuário de Literatura Brasileira, 1962.
