A suave pantera III - Marly de Oliveira

Marly de Oliveira - poeta da terceira geração do modernismo brasileiro



Uma intensíssima joia,
do próprio sangue animada,
tão preciosa, tão preciosa,
que é preciso não tomá-la.
Que duro sangue a vermelha!
Que silêncio a não reparte!
em si mesma reluzente
a inteira imobilidade.
Mas o ardor, esse deleita,
com que a joia se transforma,
se se move, no animal
que a própria joia comporta.
O cuidado - isso extasia -
com que a joia se transmuta:
com patas, pernas e olhar
onde se extrema outra fúria.




Fonte: "Antologia Poética", Editora Nova Fronteira, 1997.
Originalmente publicado em: "A suave pantera", Edições Anuário de Literatura Brasileira, 1962.