Olga Savary
Olga Savary foi uma poeta, tradutora e jornalista reconhecida como importante voz da poesia brasileira contemporânea da segunda metade do século XX.
Biografia
Olga Augusta Maria Savary nasceu em Belém do Pará em 21 de maio de 1933. Era filha única do engenheiro eletricista russo Bruno Savary e de Célia Nobre de Almeida Savary, desenhista e violonista, com ascendência indígena. Com três anos de idade, mudou-se com a família para Fortaleza. Os anos entre Belém e Fortaleza seriam decisivos para o surgimento de uma sensibilidade voltada à natureza, à imaginação e à linguagem, quando preenchia o mundo de criança solitária - era filha única - através da criação.Em 1943, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde os pais se separaram. Começou a dar aulas de português a crianças menores. A mãe a tratava sem afeto, dava-lhe surras, dizia que ela não era sua filha, mas havia nascido do casco de uma tartaruga. Aos dezessete anos, frente aos atritos com a mãe e saudades de Belém, Olga retornou à capital paraense, residindo com a madrinha. Realizava os estudos secundários no Colégio Moderno durante o dia e escrevia escondida no quarto à noite, para que ninguém notasse que ficava acordada até de madrugada.
Com desempenho ruim nas matérias "exatas", como matemática e química, Olga era a primeira da classe em Português e Desenho. Ganhou o primeiro prêmio literário, num concurso estadual de poesia para alunos secundários do Pará. Retornou ao Rio de Janeiro para cursar Letras na Universidade Federal do Rio de Janeiro, mas abandonaria a universidade para se casar com o jornalista Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe, o Jaguar, união que duraria até 1980 e renderia dois filhos.
Aos 19 anos, procurou o primo Carlos Drummond de Andrade, na época com 53 anos, no escritório onde ele trabalhava junto ao Ministério da Educação e Cultura. Mostrou-lhe uma centena de poemas que havia escrito, e ambos tornaram-se amigos.
Participou da fundação do jornal Pasquim, onde trabalhou de 1969 até 1982, a princípio como colaboradora, entrevistadora e tradutora. Criou a coluna mais popular do jornal, "As Dicas", contendo opiniões sobre música, livros e artes em geral. Foi ao longo da década de 1960 que enveredou pela carreira de tradutora, vertendo para o português obras de importantes autores da literatura hispano-americana, como Pablo Neruda, Octavio Paz, Julio Cortázar ou Jorge Luis Borges, além de traduzir poetas da tradição clássica do haicai japonês, como Bashō, Buson e Issa.
Olga só estrearia em livro com a publicação de "Espelho Provisório" em 1970, obra que lhe rendeu o Prêmio Jabuti de Autor Revelação no ano seguinte. Em 1977, recebeu o Prêmio de Poesia da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) por seu segundo livro, "Sumidouro", consolidando seu reconhecimento no cenário literário brasileiro.
Nas décadas seguintes, publicou uma obra extensa, com dezenas de livros de poesia, três livros de contos e um com a coletânea de seus artigos literários publicados na imprensa. Também organizou antologias e participou de projetos editoriais dedicados à poesia brasileira e latino-americana.
Do livro 'Sumidouro', 1977
Nas décadas seguintes, publicou uma obra extensa, com dezenas de livros de poesia, três livros de contos e um com a coletânea de seus artigos literários publicados na imprensa. Também organizou antologias e participou de projetos editoriais dedicados à poesia brasileira e latino-americana.
Separou-se aos 46 anos de idade, envolvendo-se num relacionamento com um jogador de futebol de 22 anos de idade. Olga recusou o pedido de casamento, porque desejava aproveitar sua liberdade após tanto tempo do casamento anterior.
Ela participou de instituições literárias e culturais, como o PEN Club e a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), e exerceu funções de representação no campo literário, incluindo a presidência do Sindicato de Escritores do Estado do Rio de Janeiro entre 1997 e 1998.
Em 1982, publicou "Magma", saudado pela imprensa e pela crítica como o primeiro livro todo em temática erótica de autoria feminina, recebendo o Prêmio Olavo Bilac, da Academia Brasileira de Letras de 1983. Sua obra apresenta uma lírica centrada nos elementos naturais, no corpo e na experiência sensível.
Em 1982, publicou "Magma", saudado pela imprensa e pela crítica como o primeiro livro todo em temática erótica de autoria feminina, recebendo o Prêmio Olavo Bilac, da Academia Brasileira de Letras de 1983. Sua obra apresenta uma lírica centrada nos elementos naturais, no corpo e na experiência sensível.
Olga Savary faleceu no Rio de Janeiro em 15 de maio de 2020, aos 86 anos, vítima do coronavírus.
Obras e poemas
Do livro 'Espelho Provisório', 1970Viagem | Arraial do Cabo | Ouro Preto II | Um dia, ossos | Jogo na tarde | O salto | Balanço | Dentro de um vidro | O caramujo e seu espelho | Nas ruínas do convento de Angra dos Reis | Comentário | Percepção | Poeminha para Flávia | Abstrata | Noturno | Do outro lado | Depois | Cantilena em setembro | Ar livre | Dentro dos olhos fechados | Nome | As subterrâneas | Água água | Urubu | Inútil | Tranquilidade na tarde | A carta | O cavalinho-do-mar | Queda | Mito
Do livro 'Sumidouro', 1977
Consumo | Ser | Em uso | Vida III | Avesso | Acomodação do desejo III | Acomodação do desejo I | Frutos | Saturnal | Nome I | Mar I | Guerra Santa | Carne viva | Vida II | Vida I | Ycatu
Do livro 'Hai-kais', 1986
Do livro 'Linha d’Água', 1987
Do livro 'Repertório Selvagem', 1998
Para consulta
Alves, C. L. B., & Vieira Júnior , P. A. (2024). Amantes deliquescidos em Magma, de Olga Savary. Porto Das Letras, 10(Especial), 139–156.
Cadó, J. C. D. A., & Araújo, R. B. D. (2024). Nicho ecológico e nicho simbólico nos poemas-bicho de Olga Savary. Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea, (72), e7215.
de Lacerda, A. J. C. (2016). Olga Savary e o discurso erótico. Instituto de Letras e Comunicação Programada de Pós-Graduação em Letras. Editor: Universidade Federal do Pará, 117.
Leitão, M. A., & Ferraz, A. M. (2013). A Escrita do Corpo: a erótica verbal de Olga Savary. In Congresso Internacional da ABRALIC, 13º (pp. 1-7).
Leitão, A. J. R. (2013). A experiência amorosa em Olga Savary e em Osman Lins. Revista Fórum Identidades.
Maia, F. X., & Lucas, É. Altaonda, constrói seu retrato. IV CID–IV Colóquio do Grupo de Pesquisa o Corpo e a Imagem no Discurso: Como somos/fazemos corpo na contemporaneidade?, 27.
Marinho, C. Olga Savary (1933-2020) Maria Lúcia Alvim (1932-2021): homenagem a duas grandes poetas levadas pela Covid 19. Opiniães.
Savary, O. (2015). Romance das Três Flautas: ou de como as mulheres perderam o dominio sobre os homens. Ângulo, (136).
Sena, M. (2024). A melancolia diante do espelho provisório, de Olga Savary. Porto Das Letras, 10(2), 183–195.
Soares, A. (2012). A “Animal força humana” em Repertório selvagem, de Olga Savary: uma leitura ecofeminista. Navegações, 5(2), 149–155.
Trindade, M. R. (2020). O papel de algumas manifestações da natureza na poética de Olga Savary. Anais do Simpósio Internacional de Ensino de Língua, Literatura e Interculturalidade (SIELLI) e Encontro de Letras, 1, 1-10.
Ueno, R. M. S. (2019). Entrevista com Olga Savary. Cadernos de Tradução, 39(2), 305-315.
Verdejo, P. B., & Orlandi, D. T. (2024). Erótica e exótica: a poesia de Olga Savary e suas transgressões. EntreLetras, 15(2), 400-424.
