Carmen Freire

Carmen Freire, poeta do Romantismo brasileiro

Carmen Freire
 

Figura pouco lembrada nos compêndios literários, Carmen Freire, conhecida como Baronesa de Mamanguape, destacou-se como uma das raras vozes femininas da literatura brasileira oitocentista. Poeta e prosadora, sua obra une lirismo, sensibilidade e compromisso com a educação moral da mulher e da infância.

Biografia

Maria do Carmo Evangelista Salles nasceu no Rio de Janeiro em 2 de março de 1855 e foi criada pela mãe, velha e pobre. Escaparia da pobreza por meio do casamento: em 13 de outubro de 1869, casou-se com Flávio Clementino da Silva Freire, o Barão de Mamanguape - distinto proprietário rural e político paraibano que havia sido deputado e presidente da província da Paraíba antes de se tornar senador do Império.

Carmen se tornou a segunda esposa do Barão, sendo reconhecida na sociedade carioca como Baronesa de Mamanguape. A diferença de idade era notável: ele contava mais de cinquenta anos à época das núpcias. O casamento conferia à jovem Maria do Carmo uma posição social que, naquela sociedade hierarquizada da Corte carioca, abria portas que o nascimento humilde jamais abriria.

O desenvolvimento nacional após a independência brasileira demandava dos membros da corte e da elite um certo verniz cultural, e abriu-se às mulheres desse estrato social a possibilidade de educação. Carmen dedicou-se aos estudos naturalistas, mas também à literatura, assumindo a assinatura literária que a tornaria conhecida nos círculos intelectuais do Segundo Império: Carmen Freire, a Baronesa de Mamanguape.

Instalada na Corte, desenvolveu intensa atividade literária. Sua estreia nas letras ocorreu nas páginas da Gazeta de Notícias, onde publicou um poema em 1888. Publicou outros versos e traduções em periódicos cariocas e manteve um salão literário de grande prestígio - ponto de encontro de escritores e intelectuais durante o período da Belle Époque tropical, com seus cafés literários, jornais e o fervor das campanhas abolicionista e republicana. 

Carmen traduziu autores europeus e foi reconhecida por sua sensibilidade lírica. Pouco tempo depois de sua estreia literária, ela reuniria sua produção poética em livro, mas não logrou publicá-lo em vida.

No fim do século XIX, fontes relatam o fechamento do salão da baronesa após a desagregação do patrimônio familiar. A abolição da escravatura provocou uma crise econômica entre proprietários de escravos - entre eles o Barão de Mamanguape -, e os saraus foram suspensos.

O próprio Barão contraiu tuberculose e veio a falecer da doença. Depois de sessenta e sete dias de sofrimento, Carmen também sucumbiu à tuberculose, em 13 de setembro de 1891, aos trinta e seis anos de idade. Sua morte foi anunciada nos principais jornais da capital, com homenagens que atestavam o respeito conquistado nos círculos intelectuais.

Sua poesia foi organizada postumamente no volume Visões e Sombras (Rio de Janeiro, 1897), com prefácio de Guimarães Passos e Olavo Bilac.

Obra e poemas

Do livro 'Visões e Sombras', 1897

Para consultar

Edição digital de sua obra está disponível na Biblioteca Digital de Literatura de Países Lusófonos.

Não se identificaram estudos disponíveis a respeito da poetisa. Outras informações se encontram em Pereira, C. (2023). Carmem Freire, Baronesa de Mamanguape (1855–1891).