Ilusão


Poema de Carmen Freire



Louco que fui! Prendi-me à chama ardente
Da viva luz que o teu olhar inunda,
Mas hoje creio que paixão profunda
Dá-la não pode quem amor não sente.

Bem sei que julgas que a paixão fremente
Pode esquecer-se; mas quando ela é funda,
Fida a saudade atroz que nos afunda
No vórtice voraz de acerba enchente.

À tona da torrente as crenças vão
Boiar no mar dos pelegos tristonhos
Onde a saudade afoga o coração.

Depois na branca espuma vão-se os sonhos,
E da morte assassina a negra mão
Mostrar-nos vem os túmulos medonhos!



Fonte: "Visões e Sombras", Casa Mont'alverne, 1897.
Originalmente publicado em: "Visões e Sombras", Casa Mont'alverne, 1897.


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