Alvoradas


Poema de Carmen Freire



Quando surge no oriente o sol brilhante,
De luz banhando as veigas e os algares,
Mimosas garças recortando os ares
Cansadas pousam no paul distante.

Busca a linda falena o seu amante,
Voando como louca entre os palmares,
E com ele volvendo aos seus pomares
Afaga-o carinhosa e palpitante.

Descanta a meiga rola os seus amores;
Sutil deslisa o rio entre verdores,
Bem como branda corre a doce aragem,

E as flores, sobre as águas debruçadas,
Acordam no seu leito, reclinadas
Entre os mimos e graças da ramagem.



Fonte: "Visões e Sombras", Casa Mont'alverne, 1897.
Originalmente publicado em: "Visões e Sombras", Casa Mont'alverne, 1897.

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