Cora Coralina
Biografia
Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas nasceu em 20 de agosto de 1889 na Vila Boa de Goiás - atual Cidade de Goiás. Era filha de Francisco de Paula Lins dos Guimarães Peixoto, desembargador nomeado por D. Pedro II, e de Jacintha Luiza do Couto Brandão. Sua família possuía raízes na formação histórica da cidade e sua casa natal, às margens do Rio Vermelho, data do século XVIII.Cora Coralina recebeu educação doméstica com uma mestre-escola e cursou apenas os quatro primeiros anos do ensino primário. Desde a adolescência, escrevia poemas, contos e crônicas. Em maio de 1910, aos 21 anos, publicou no Anuário Histórico e Geográfico e Descritivo do Estado de Goiás um texto, utilizando pela primeira vez o pseudônimo Cora Coralina. Frequentava reuniões do Clube Literário Goiano.
Envolveu-se com o advogado Cantídio Tolentino de Figueiredo Bretas, então chefe de polícia da Cidade de Goiás, 22 anos mais velho, casado e pai de quatro filhos. O relacionamento, considerado escandaloso para os padrões da época, culminou na fuga do casal em 25 de novembro de 1911, quando Ana estava grávida. A partida ocorreu de forma clandestina, rompendo com a família e com a cidade natal.
Ana e Cantídio tiveram seis filhos. O casal viveu em diversas cidades do interior paulista, incluindo Jaboticabal, Penápolis e Andradina. O casamento foi oficialmente regularizado apenas em 1926. Durante esse período, Cora contribuía para a imprensa local. Escrevia literatura, mas nada publicava em livro, em parte devido às restrições impostas pelo contexto social e familiar à atuação intelectual feminina.
Com a morte do marido em 1934, Ana se mudou com a família para a capital paulista. Trabalhava como vendedora de livros na Editora José Olympio. Em 1956, retornou definitivamente à Cidade de Goiás, onde passou a trabalhar como doceira, atividade que se tornaria parte constitutiva de sua imagem pública e de sua mitologia autoral.
Em 1965, aos 76 anos, publicou seu primeiro livro, Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais, pela Editora José Olympio, marcando sua entrada tardia, porém decisiva, no cenário literário nacional. A partir da década de 1970, sua obra começou a receber atenção crítica mais ampla. Em 1979, uma carta de Carlos Drummond de Andrade destacou publicamente a força lírica e a autenticidade de sua poesia, ampliando seu reconhecimento nacional.
Em 1983, recebeu o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade Federal de Goiás e tornou-se a primeira mulher a receber o Prêmio Juca Pato, pelo livro Vintém de Cobre - Meias Confissões de Aninha. Cora Coralina faleceu em 10 de abril de 1985 em Goiânia, aos 95 anos, vítima de pneumonia.
Do livro 'Meu Livro de Cordel', 1976
Do livro 'Vintém de Cobre - Meias Confissões de Aninha', 1983
Araújo, M. M., & Moraes, A. C. (2010). Cora Coralina: memória e representação do eu na construção da consciência social. Letrônica, 3(1), 345-354.
Obras
Do livro 'Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais', 1965As lavadeiras | Minha infância | Poema do milho | Becos de Goiás | Velho sobrado | Trem de gado | Caminho dos morros | Rio Vermelho | Frei Germano | Vintém de cobre | Minha cidade | Todas as vidas
Do livro 'Meu Livro de Cordel', 1976
Meu pai | Não conte pra ninguém | Lucros e perdas | Ainda não | O chamado das pedras | Sequência | Minha vida | Cora Coralina, quem é você? | Amigo | Errados rumos | Estas mãos | O cântico de Dorva | Rio Vermelho | Jabuticabal II | Este relógio | Variação | Lua-Luar
Do livro 'Vintém de Cobre - Meias Confissões de Aninha', 1983
Sombras | O quartel da polícia de Goiás | A fala de Aninha | Ofertas de Aninha aos moços | Aborrecimentos de Aninha | Imaginários de Aninha | Mestra Silvina | Menina mal-amada | Semente e fruto | Aquela gente antiga I | Nasci antes do tempo | Cântico primeiro de aninha | Cântico de Aninha
Para Consulta
Para aprofundar o estudo sobre Cora Coralina:Araújo, M. M., & Moraes, A. C. (2010). Cora Coralina: memória e representação do eu na construção da consciência social. Letrônica, 3(1), 345-354.
Araújo, L. M., & Plácido, G. M. A. (2021). Cora Coralina: defesa da mulher e do meio ambiente na atualidade. Ecofeminismo & Jurisgaia: Ensaios das conferencistas e artigos científicos do Prêmio Vladimir Garcia Magalhães, 58-73.
Arendt, M., & Fernandes, M. L. S. (2013). Lembranças de Aninha no universo poético de Cora Coralina. Trama, 9(17), 133-151.
Brito, C. (2007). Das cantigas do beco: cidade e sociedade na poesia de Cora Coralina. Sociedade e cultura.
Britto, C. C., & Curado, M. E. (2009). A ironia como projeto: movimentos da narrativa de Cora Coralina no campo literário. Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea, (34), 95-116.
Britto, C. C. (2011). Um teto todo seu: aspectos do itinerário poético-intelectual de Cora Coralina. Cad. Esp. Fem., Uberlândia/MG, 24(1), 185-205.
Camargo, F. P. (2004). Cora Coralina e a tradição poética moderna e modernista. In IX CONGRESSO INTERNACIONAL DA ABRALIC.
Carvalho, M. M. (2003). Cora Coralina: a poesia como ação política. Em Tempo de Histórias, (07).
da SILVA, G. R. (2008). Cora Coralina e a tradição literária em Goiás. Linguagem: Estudos e Pesquisas, 12(1).
Delgado, A. F. (2005). Museu e memória biográfica: um estudo da Casa de Cora Coralina. Sociedade e Cultura, 8(2).
Delgado, A. F. (2008). Cora Coralina: a construção da mulher-monumento. Caderno Espaço Feminino, 19(1), 387-416.
De Camargo, G. D. F. O. (2002). Poesia e memória em Cora Coralina. Signótica, 14(1), 75-86.
dos Santos, S. N. (2019). A condição feminina em Cora Coralina e sua interface com o projeto mulheres coralinas: estudo léxico-cultural. Humanidades & Inovação, 6(8), 198-209.
Ferreira, M. R., & Torres, M. A. (2020). Cora Coralina: uma poética sobre lugares e sabores: Una poética sobre lugares y sabores. Revista Geografia Literatura e Arte, 2(2), 129-145.
Martins Filho, J. R. F. (2023). Mística e espiritualidade vivencial na literatura de Cora Coralina. Revista Caminhos-Revista de Ciências da Religião, 21(2), 380-404.
Melo, M. I. S. (2011). Moinho do tempo: todas as vidas em Cora Coralina. Letrônica, 4(1), 152–159.
Peres, E., & Borges, F. (2015). Relações entre história e literatura: a obra de Cora Coralina e as questões do ensino e dos processos de escolarização no final do século XIX e início do século XX. Revista Brasileira de História de Educação, 15(2), 23-53.
Pinheiro, S. R. (2003). Biografia, culinária e literatura: a história do cotidiano com o tempero de Cora Coralina. Revista Niterói, Niterói, 3(2), 69-79.
Pinheiro, S. R. (2006). A palavra ecoa pelos becos da vida: Cora Coralina, imagens, ficheiros e cores na resistência social à exclusão. Hispanista.
Reimer, I. R., & Siqueira, E. L. (2020). VIDA E OBRA DE CORA CORALINA. Revista Caminhos-Revista de Ciências da Religião, 18, 930-942.
Reis, C. B. (2011). Cora Coralina e sua casa silenciosa. Revista UFG, 13(11).
