Aquela gente antiga I

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Poema de Cora Coralina



Aquela gente antiga era sábia
e sagaz, dominante.
“Criançada, para dentro,”
quando a gente queria era brincar.
Isto no melhor do pique.
“Já falei que o sereno
da boca da noite faz mal”...
Como sabiam com tanta segurança
e autoridade?
Eram peritas em classificar as frutas:
Quente, fria e reimosa.

Quente, abriam perebas nas pernas, na cabeça,
pelos braços.
Fria, encatarroava, dava bronquite.
Reimosa, trazia macutena.



Fonte: "Vintém de cobre", Global Editora, 2012.
Originalmente publicado em: "Vintém de cobre: meias confissões de Aninha", Editora da UFG, 1983.

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