Minha vida

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Poema de Cora Coralina



Num ano longínquo, numa cidade distante,
num dia incerto de um mês aziago,
nascia uma criança.
O Destino que presidia o evento,
ouvindo o primeiro vagido,
clamor de vida,
moveu-se invisível e depôs sua dádiva na cabeça da criança,
simbolizada numa chama viva e num punhado de cinza.

20 anos decorridos...
Ardia na fronte da adolescente uma chama viva
e era essa vida um punhado de cinza.

Tantos anos decorridos...
Ainda queima nessa cabeça uma chama viva
e é essa vida um punhado de cinza.

Chama viva. Cinza morta...
Minha vida. O símbolo do meu Destino.
  


Fonte: "Meu livro de cordel", Global Editora, 2012.
Originalmente publicado em: "Meu livro de cordel", Editora Cultura Goiana, 1976.

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