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Poema de Júlia Cortines



Jurei amar-te sempre, e, acelerado,
Voasse o Tempo, que da poesia
Ceifa os lírios, e nunca o imaculado
Lírio do meu afeto ceifaria.

E, se a Morte te houvesse arrebatado,
Fiel ao juramento inda seria,
E contigo no féretro encerrado
Meu coração à terra desceria.

Jurei amar-te sempre, acreditando
Poder desafiar sem medo a sorte,
Estes monstros cruéis desafiando.

Jurei amar-te sempre, e amar-te-ia
Sempre, se o amor, que afronta o Tempo e a Morte,
Conseguisse afrontar a covardia...



Fonte: "Versos; Vibrações", Academia Brasileira de Letras, 2010.
Originalmente publicado em: "Versos", Tipografia Leuzinger, 1894.

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