Ontem à noite - Casimiro de Abreu

Casimiro de Abreu, poeta do Romantismo brasileiro

Poema de Casimiro de Abreu



Ontem, - sozinhos - eu e tu, sentados,
Nos contemplamos, quando a noite veio:
Queixosa e mansa a viração dos prados
Beijava o rosto e te afagava o seio,
Que palpitava como - ao longe - o mar,
E lá no céu esses rubis pregados
Brilhavam menos que teu vivo olhar!

Com a mão nas minhas, no silêncio augusto,
Tu me falavas sem mentido susto,
E nunca a virgem, que a paixão revela,
Passou-me em sonhos tão formosa assim!
Vendo a noite pura, e vendo a ti tão bela,
Eu disse aos astros: - dai o céu a ela!
Disse a teus olhos: - dai amor pra mim!




Fonte: "Obras Completas", B L Garnier, 1887.
Originalmente publicado em: "Primaveras", 1858.
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