Assim - Casimiro de Abreu
Poema de Casimiro de Abreu
Viste o lírio cia campina?
Lá se inclina
E murcho na haste pendeu!
- Viste o lírio da campina?
Pois, divina,
Como o lírio assim sou eu!
Nunca ouviste a voz da flauta,
A dor do nauta
Suspirando no alto mar?
- Nunca ouviste a voz da flauta?
Como o nauta
É tão triste o meu cantar!
Não viste a rola sem ninho?
No caminho
Gemendo, se a noite vem?
- Não viste a rola sem ninho?
Pois, anjinho,
Assim eu gemo também!
Não viste a barca perdida,
Sacudida
Nas asas d'algum tufão?
- Não viste a barca fendida?
Pois, querida,
Assim vai meu coração!
Fonte: "Obras Completas", B L Garnier, 1887.
Originalmente publicado em: "Primaveras", 1858.
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