* - Adélia Fonseca
Poema de Adélia Fonseca
Se é triste, no inverno úmido e frio,
Ver a aurora gentil, crepes vestindo,
Oculto em véu nublado o rosto lindo,
Carpindo saudades do formoso estio;
Se é triste ver a fonte, ver o rio
Essa dor, esse luto refletindo;
Ver o pobre botão da rosa abrindo
Sem cheiro e tinto de palor sombrio;
Se é triste a rola ver, que, consumida,
Do consorte infiel chora a mudança,
Na roupagem das matas escondida;
Mais triste é trazer sempre na lembrança,
Viva, a imagem da dita apetecida,
E ter no coração morta a esperança.
Fonte: "Ecos da Minh'alma", Tipografia Camillo de Lellis Masson, 1866.
Originalmente publicado em: "Ecos da Minh'alma", Tipografia Camillo de Lellis Masson, 1866.
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