À violeta - Adélia Fonseca
Poema de Adélia Fonseca
Gentil florinha mimosa,
Que desabrochas viçosa,
És oriunda do céu.
Quem te deu esse perfume,
Que ao jasmim causa ciúme?
Quem tal feitiço te deu?
Foi de Deus a destra santa,
Que deu-te meiguice tanta,
Que te deu tão linda cor?
Foi o seu saber profundo,
Que te fez descer ao mundo
Como um símbolo de amor?
Se o Eterno, num sorriso,
Te colheu no paraíso,
Onde vivias tão pura;
Se, no seu sopro celeste,
À terra um dia vieste
Adoçar nossa amargura;
Por que, modesta florinha,
Ocultas, recatadinha,
A tua divina essência?
Teu segredo é traído:
Esse aroma tão subido
Te denuncia a existência.
Quando ao universo baixaste,
Por que esse nome mudaste,
Que te cabe de direito?
Tu, que até foges às brisas,
Melhor que outra simbolizas
O sublime - amor-perfeito.
Oh! não deixes que outra flor
Use o nome encantador
Que possuías no céu;
A presumida bem sabe
Que esse nome a ti só cabe,
Que esse nome é todo teu.
Tem ela maior frescura,
Mais tocante formosura,
Tem o teu celeste odor?
Vive acaso, flor querida,
Como tu, casta, escondida,
Retratando o puro amor?
Cativa a sua lindeza
Mais que a tua singeleza,
Encanto de quem te vê?
Tem, aos olhos da poesia,
Para atrair, a magia
Do teu raro não-sei-quê?
Por que, modesta florinha,
Ocultas, recatadinha,
A tua divina essência?
Teu segredo é traído:
Esse aroma tão subido
Te denuncia a existência.
Retoma, pois, flor celeste,
Esse nome que tiveste,
Que te cabe de direito;
Tu, que até foges às brisas,
Melhor que outra simbolizas
O sublime - amor-perfeito.
Fonte: "Ecos da Minh'alma", Tipografia Camillo de Lellis Masson, 1866.
Originalmente publicado em: "Ecos da Minh'alma", Tipografia Camillo de Lellis Masson, 1866.
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