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Poema de Souza-Andrade



Eu vou subindo o rio da existência
Contra as correntes em penosa balsa:
Estendo a vista pelo esteiro, busco
Deter com as mãos as ondas que me fogem!
Grito que se não perca o meu passado -
E perde-se com o eco... e pelas margens
Apenas uma luz se extingue, um monte
Empalidece e seca, as minhas torres
Desfazem-se em ruínas, um cipreste
Lá no fim do horizonte o corpo estende!...
E volto-me ao caminho para adiante:
O tempo se aproxima e passa: e digo,
O futuro lá jaz atrás da nuvem -
Porém branqueia a nuvem... peço ainda
À noite que me espere enquanto há dia -
O sol desaparece e tudo é noite!
- Está minha alma se escorrendo em chagas
Tão vivas, de sanguíneos meteoros
Nela cheia de noite, ou como os raios
Na sua tempestade serpenteiam.



Fonte: "Harpas Selvagens", Tipografia Universal de Laemmert, 1857.
Originalmente publicado em: "Harpas Selvagens", Tipografia Universal de Laemmert, 1857.


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