Passatempo

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Poema de Francisco de Paula Brito



Verdades, Marília,
Em que deves crer,
Eu vou te dizer
Tim-Tim por Tim-Tim!..
    Feliz de quem goza!
    Coitado de mim!...

O que é este mundo
Há muito que eu sei;
Mas nunca pensei
Que fosse ele assim!...
    Feliz de quem goza!
    Coitado de mim!...

Ditoso me chama
Quem trata comigo;
Ao mundo eu não digo
Que não nem que sim.
    Feliz de quem goza!
    Coitado de mim!...

Que ganha o que anda,
Na vida que tem,
Do seu mal ou bem
Tocando o clarim?
    Feliz de quem goza!
    Coitado de mim!...

Ninguém neste mundo,
Por mais poderoso,
Se conta ditoso
Como um querubim!
    Feliz de quem goza!
    Coitado de mim!...

Enquanto eu exalo
Suspiros gementes,
Estão outros contentes
No seu palanquim!
    Feliz de quem goza!
    Coitado de mim!...

O teu desengano
(Alguém me dizia)
Virás algum dia
A tê-lo por fim!
    Feliz de quem goza!
    Coitado de mim!...

Meus males conheço,
Porém resignado
Estou, que o meu fado,
Marília, é ruim!
    Feliz de quem goza!
    Coitado de mim!...



Fonte: "Poesias", Tipografia Paula Brito, 1863.
Originalmente publicado em: "Livrinho das moças", 1856.


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