Agrado e desagrado

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Poema de Francisco de Paula Brito



Gosto de ti porque dizes
Que tens em mim muita fé;
Mas não gosto porque foges
De explicar-me o que isso é.

Gosto de ti porque foste
A primeira em me querer;
Mas não gosto porque em véspera
Estás de me aborrecer!

Gosto de ti porque brincas
Comigo com segurança;
Mas não gosto porque esmagas
Ainda em flor a esperança!

Gosto de ti porque dás
Ao meu talento louvor.
Mas não gosto porque mostras
Que não me tens muito amor.

Gosto de ti porque em tudo
És um anjo de bondade;
Mas não gosto porque temo
Caprichos da sociedade.

Gosto de ti porque és deusa
De um espirito sublime;
Mas não gosto porque entendes
(Creio eu) que amar é crime.

Gosto de ti porque gosto,
Porque é meu gosto gostar;
Mas não gosto porque gostas
De me fazer rabiar..



Fonte: "Poesias", Tipografia Paula Brito, 1863.
Originalmente publicado em: "Livrinho das moças", 1856.


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