A Aléa

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Poema de Alvarenga Peixoto



Não cedas, coração; pois nesta empresa
O brio só domina; o cego mando
Do ingrato amor seguir não deves, quando
Já não podes amar sem vil baixeza:

Rompa-se o forte laço, que é fraqueza
Ceder a amor, o brio deslustrando;
Vença-te o brio pelo amor cortando,
Que é honra, que é valor, que é fortaleza;

Foge de ver Aléa, mas se a vires,
Porque não venhas outra vez a amá-la,
Apaga o fogo assim que o pressentires;

E se inda assim o teu valor se abala,
Não lhe o mostres o rosto; ah! não suspires.
Calado geme, sofre, morre, estala!


Fonte: "Obras Poéticas", Livraria B. L. Garnier, 1865.
Originalmente publicado em: dispersos em obras como "Parnaso Brasileiro", "Novo Parnaso Brasileiro", "Miscelânea Poética",, "Jornal Poético" e "Coleção de poesias", entre 1809 e 1855.

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