Lira VII (parte III)

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Poema de Thomaz Antônio Gonzaga



Em quanto o sórdido avaro
No seu tesouro empregado
Sem cessar conta o dinheiro
Com mil usuras ganhado;
Sem jamais descanso ter
Com o receio de o perder:

Em quanto no frágil vaso
Corta o nauta o salso mar,
Para de longínquas terras
Os cabedais transportar;
Arriscando nesta lida
Co'a riqueza a própria vida:

Em quanto audaz general
Com ataques e sortidas
Manda à fria Libitina
Com a sua tristes vidas;
Só para fazer distinto
Seu nome de sangue tinto:

Eu, à margem deste rio
Onde o gado a pastar deito,
De Marília a doce imagem
Conservo d'entro em meu peito:
E ao som da suave lira
Canto ideias que me inspira.



Fonte: "Marília de Dirceu", Irmãos Garnier Editores, 1862.
Originalmente publicado em: "Marília de Dirceu", 1792.

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